O som da tentativa

C. S. Lewis escreveu certa vez que “Parece que Deus não faz por Ele mesmo nada que Ele pudesse delegar às Suas criaturas. Ele nos ordena a fazer devagar e desajeitadamente aquilo que Ele poderia fazer perfeitamente num piscar de olhos”. Não existe ilustração maior desse princípio do que a Igreja de Jesus Cristo, à qual o Senhor delegou a tarefa de encarnar a Presença do próprio Deus no mundo. Todos os nossos esforços são exemplos dessa delegação divina.

Todo pai e mãe conhecem um pouco o risco de delegar, com sua alegria e sofrimento. A criança que toma seus primeiros passos segura, solta a mão, em seguida cai, depois luta para levantar-se outra vez. Ninguém descobriu outra maneira de aprender a andar.

Sim, a igreja falha em sua missão e comete erros exatamente porque é composta de seres humanos que sempre carecem da glória de Deus. É o risco que Deus correu. Aquele que vai à Igreja esperando encontrar perfeição não entende a natureza desse risco nem a natureza da humanidade. Assim como todo romântico acaba aprendendo que o casamento é início, não o fim, da luta por fazer o amor funcionar, todo cristão precisa aprender que a Igreja é apenas um começo.

Certa vez o compositor Igor Stravinski escreveu uma nova peça musical que continha um trecho muito difícil para violino. Depois de diversas semanas de ensaio o violinista solista procurou Stravinski e disse que não conseguia tocar. Tinha se esforçado ao máximo, mas era um trecho difícil demais, até mesmo impossível de se tocar. Stravinski respondeu. “Eu entendo isso. Mas o que procuro é o som de alguém que esteja tentando tocá-lo”. Quem sabe algo semelhante é o que Deus tinha em mente com a Igreja.
Embora, talvez, nunca alcancemos o que o compositor tinha em mente, não existe outra maneira de se ouvir esses sons sobre a terra. Assim como, longe da perfeição, a Igreja (Corpo) ainda é a única forma pela qual as pessoas ouvirão a mensagem da cruz.

Philip Yancey
(Trecho extraído do livro “IGREJA: POR QUE ME IMPORTAR?”)

 

    • Rhay Ribeiro
    • 26 outubro, 2010

    Muito bom esse texto!
    O melhor de tudo é saber que Deus só nos delega tarefas que podemos realizar, nada além de nossa capacidade.
    Devemos aprender a lidar com as diferenças existentes entre as pessoas e a depositar nossa total confiança em Deus, uma vez que Ele é o único que não falhará.
    Que possamos reconhecer não apenas a nossa humanidade, mas a de nossos próximos também.
    Façamos, então, o melhor que podemos fazer. Como para Deus e não a homens.

    “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis. Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas.” [Colossenses 3: 23-25]

    Sou sua fã número um, amor.
    Que Deus continue te usando e dando inspiração.

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